Espera que o sol já vem

/ 16 de ago. de 2012 /
"... Quem acredita sempre alcança". Quando uma musiquinha antiga bate num tempo diferente daquele outrora em que ela foi ouvida e sentida, às vezes uma coisa mais bonita do que aquele tempo aparece. E com tanta combinação que uma emoçãozinha até vem. Veio aqui com você ao lado. Veio com doçura, esperança... Coisa dessa como coisa de uma criança. Ê mundo bonito esse das palavras, sá!

Pueris, graças a Deus

/ 11 de jul. de 2012 /
Hoje a tarde foi de arroz-doce, meu bem.
Perambulei de havaianas pretas pela avenida JK, procurando um caixa do Banco do Brasil. Até que escolhi seguir um trajeto velho, que remonta aos meus dentes de leite. Parei na porta azul de minha primeira escola: a Escola Municipal Bom Pastor. Um moço desligava o celular, quando notou a palpitação. "Eu já estudei aqui", sussurrei. A porta aberta, entrei com o temor de quem pisa em solo sagrado da memória. Passada a visita, abri um cadernim amarelado e insisti com as letras.

O túnel colorido ainda estava lá. Em mim. O palco onde me vesti de azul para o carnaval de criança. O banco em que me sentei com medo do mundo. As inquietações primaveris em torno da árvore mais frondosa. Quando vi os olhos da eterna professora, algo do tempo fez sentido. "Eu guardo até hoje aquele álbum com historinha que você fez."
As linhas da minha arquitetura foram traçadas naquele pátio e nos corredores de chão vermelho. Ali comecei a ler. As palavras e os gestos.
Educação só pode ser afetiva. O reconhecimento instantâneo me atravessou que nem chuva pulverizando o arco-íris. "Bárbara!" E o espanto fez-se mel. Pegou no meu braço, apontou os novos cômodos, seus computadores pretos e a secretaria mais ampla. Eu só queria chorar. Vibrando nos restos da história, entendi o sentimento que fica impregnado nas coisas triviais.

Divinópolis, 11 de julho de 2012

A infância sempre foi uma questão pra gente, né. A nossa e a dos que virão. O que o ser criança pode revelar do ser humano? Fico pensando em como achava tudo muito grande, bonito e misterioso quando tinha 6 anos. As ruas tão largas, meus pais tão compridos. As meias eu embolava pra queimada. Odiava dormir, porque assim não estava correndo. Energia desmedida e selvagem. Sim, penso que a despedida da infância se dá em graus de domesticação dos sujeitos. O mais adulto dos adultos é versado nas etiquetas; sabe da responsabilidade do ganha pão. "Calça o chinelo, menino!" "Fecha as pernas, você é uma mocinha já!" O mundo de gente grande não tem brecha para o lúdico? Vapores alcoólicos, ufa.
A criança que faz aula de informática, inglês e espanhol tem o diferencial: está se preparando para o mercado. Sociedade sábia essa, que joga suas pérolas aos porcos. Molecagem asfixiada, restam os compromissos de quem não tem tempo para estranhar o mundo.  




Toca a vida

/ 8 de jul. de 2012 /
Hoje é dia 8, né? Falo isso pois eu talvez tenha em meu subconsciente uma ligação com datas iniciais de coisas quaisquer. Sabe, Bárbara? A gente cria muito, reflete muito, filosofa, critica, ama, sonha e também pensa muito. Eu sinto que a gente tem de começar a registrar em algum lugar nossas estranhezas intelectuais da vida. Folhinha A4? Caderninho comprado na lojinha do Vavá? Bloquinho Moleskine? Não, não e não. Na verdade talvez e até mesmo - por que não? - sim, sim e sim. Pensei que um dia seria necessário digitalizar tais coisas então a escapatória pensada foi mesmo a plataforma de um bom e velho blog. Conteste, critique ou sugira outras casos você possua.
No banho, pensei para onde é que vão as coisas que a gente simplesmente pensa enquanto se inspira em meio a tanta pressa. A gente sonha. Sonha muito. De folha em folha a gente faz a seleção do que escolhe e elege na ênfase de qualquer decisão da vida. A arte, a antropologia e a religião tem feito parte dessas duas ânimas e a gente tem visto muito isso, como você mesma já comentou comigo.
Vou documentar aqui algumas folhas que caem sobre minha cabeça em relances vitais e plurais de localidades, velocidades, pessoas. Estes últimos, relacionados ao meio, obviamente. Pessoas e vazios, ternuras e outros sentimentos, animais e objetos, ventos e estiagens também estarão presente se assim tiver de ser.
No banho também pensei que isso, documentado assim, pode até virar uma obra de arte contemporânea, um livro, um nada qualquer o quê ou um simples blog mesmo. Mas isso não importa. A gente tem dúvidas como sempre tivemos. Precisamos sobreviver, trabalhar mas também se desligar. Desliguemos aqui, sem pressa. Vou ficar ansioso pelo seu pensamento assim como penso que todo mundo fica quando termina de escrever e enviar algo para alguém pensar. Seguirei registrando meus estranhamentos.
 
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